ANSIEDADE
Ansiedade não é falta de controle: o que o sistema nervoso está tentando dizer
21 de março de 2026 · 6 min de leitura
A frase mais repetida por quem sofre de ansiedade é alguma variação de "eu sei que é bobagem". A formulação já denuncia o problema: exige-se da razão o comando de um sistema que não é governado por ela.
Ansiedade é, em larga medida, antecipação fisiológica. O corpo se prepara para uma ameaça que não chegou. Muitas vezes para uma ameaça que passou há anos, sem que o sistema nervoso tenha tido chance de dá-la por encerrada.
Do lado psicanalítico, há uma pergunta a fazer: antecipando o quê? O sintoma protege de algo, uma perda, uma exposição, um conflito que não pôde ser dito. Reduzir a ansiedade sem escutar essa função produz alívio curto.
Na prática, o trabalho anda em duas frentes: recursos concretos de regulação, para o corpo sair do alerta contínuo, e escuta clínica, para que aquilo que a ansiedade sustenta possa ser falado. Frentes separadas raramente sustentam o resultado.
