ESPECIALIZAÇÃO EM TRAUMA

Abordagem diferenciada e atual, que une psicanálise clínica, neurociência do trauma e regulação do sistema nervoso.

Existe uma pergunta que quase ninguém faz em voz alta: por que eu ainda reajo assim, se aquilo já passou? A resposta não está na força de vontade. Está na fisiologia. O trauma reorganiza cérebro e corpo para sobreviver, e esse aprendizado costuma continuar ativo muito tempo depois de o perigo ter terminado.

Nilton Dias sentado em poltrona de couro com caderno nas mãos
Nilton Dias no consultório

TRÊS FORMAS DE TRAUMA

Nem todo trauma vem de um único acontecimento.

Trauma de choque

Um evento único e sobrecarregante: um acidente, uma violência, uma perda abrupta, um diagnóstico. O sistema nervoso não teve tempo de organizar a experiência, que permanece registrada como se ainda estivesse em curso.

Trauma de desenvolvimento

Situações repetidas na infância que deixaram necessidades básicas sem resposta: negligência emocional, imprevisibilidade, humilhação, inversão de papéis. Aqui raramente existe uma cena única. Existe um clima, e ele moldou o modo de se relacionar.

Trauma transgeracional

O que uma geração não pôde elaborar tende a ser transmitido à seguinte em silêncios, interdições e modos de reagir. É comum reconhecer no próprio corpo uma resposta que pertence a uma história anterior.

O QUE ACONTECE NO CÉREBRO

O alarme fica ligado; a leitura de contexto fica offline.

Diante de uma ameaça, a amígdala dispara antes que haja tempo de pensar. Esse disparo é rápido e útil: ele existe para manter você vivo.

O córtex pré-frontal, responsável por avaliar contexto, ponderar e nomear a experiência, tende a perder força durante a ativação intensa. Daí a cena mais frequente do consultório: saber, racionalmente, que não há perigo, e ainda assim sentir o corpo reagir como se houvesse. Não é contradição. São dois sistemas em velocidades diferentes.

Repetida por tempo suficiente, essa configuração deixa de ser resposta pontual e passa a ser um modo de funcionar. É esse modo que a clínica do trauma trabalha.

TEORIA POLIVAGAL · STEPHEN PORGES

Três respostas automáticas, nenhuma delas escolhida.

Luta

Irritabilidade, impaciência, tensão na mandíbula e nos ombros, vontade de confrontar. O corpo mobiliza energia para enfrentar.

Fuga

Agitação, pensamento acelerado, dificuldade de parar, evitação de pessoas e situações. A energia se organiza para se afastar.

Congelamento

Entorpecimento, desconexão, a sensação de assistir à própria vida de fora, cansaço profundo. Quando lutar e fugir não parecem possíveis, o sistema desliga.

Porges descreve um quarto estado, o de segurança: aquele em que é possível conversar, pensar e se vincular. Boa parte do trabalho clínico consiste em ampliar o tempo de permanência nesse estado. E em encurtar o tempo de retorno quando ele se perde.

POR QUE HÁ ESPERANÇA REAL

O que foi aprendido pode ser reaprendido.

A neuroplasticidade descreve a capacidade do cérebro de se reorganizar a partir de novas experiências. Nada disso apaga o passado, e prometer cura seria desonesto. O que está em jogo é o repertório de respostas disponíveis. Com tempo, vínculo e trabalho consistente, o sistema nervoso pode aprender que existem contextos em que baixar a guarda é seguro.

REFERÊNCIAS QUE SUSTENTAM A PRÁTICA

Quatro autores, quatro ideias que mudam a leitura clínica.

APEGO E VÍNCULO SEGURO

John Bowlby

As primeiras relações constroem um modelo interno de como esperamos ser tratados. Esse modelo pode ser revisto, e a relação terapêutica é um dos lugares onde isso acontece.


Bowlby, J. Apego e Perda (1969-1980).

TEORIA POLIVAGAL

Stephen Porges

O sistema nervoso avalia risco e segurança continuamente, abaixo do nível da consciência. Sentir-se seguro não é uma decisão. É uma condição fisiológica.


Porges, S. W. The Polyvagal Theory (2011).

NOMEAR REGULA

Daniel Siegel

"Name it to tame it": colocar em palavras o que se sente reduz a intensidade da ativação e devolve participação ao córtex pré-frontal.


Siegel, D. J. The Developing Mind (1999).

O CORPO GUARDA AS MARCAS

Bessel van der Kolk

O trauma não fica apenas na memória. Fica na respiração, na postura, nas vísceras. Tratá-lo exige incluir o corpo.


van der Kolk, B. O Corpo Guarda as Marcas (2014).

Nilton Dias é psicanalista e Specialist by Trauma Research Foundation, instituição de referência mundial fundada por Bessel van der Kolk. Sua prática integra psicanálise, neurociência do trauma e regulação do sistema nervoso, com apoio da corrida de rua quando ela é indicada.